CNH sem autoescola: o que muda para tirar a carteira? Como ficam as aulas teóricas? Veja perguntas e respostas

As novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) devem modificar o processo para novos condutores no país. As mudanças incluem a oferta de cursos gratuitos, a liberação para que instrutores autônomos atuem de forma independente e a redução dos custos necessários para conseguir a habilitação.

Com a aprovação de uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), muda a forma de obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Pela nova regra, a principal mudança é que as aulas em autoescolas deixam de ser obrigatórias.

Vou poder tirar a CNH sem fazer curso?
Sim — porém essa flexibilização vale somente para a parte teórica. As aulas teóricas dos Centros de Formação de Condutores (CFC) deixam de ter carga horária mínima obrigatória e poderão ser feitas gratuitamente, pela internet, diretamente no site do Ministério dos Transportes.

Já para conseguir a CNH, a etapa prática continua obrigatória. A diferença é que essas aulas não precisarão mais, necessariamente, ser realizadas em autoescolas.

A autoescola vai deixar de existir?
Não. A proposta não elimina as autoescolas nem os serviços que elas prestam atualmente. O que muda é que as etapas teórica e prática poderão ser realizadas também em outros locais, como instituições credenciadas ou com instrutores autônomos.

Quem desejar pode continuar seguindo o formato tradicional, fazendo tanto as aulas teóricas quanto as práticas diretamente nas autoescolas.

Outras etapas seguem obrigatórias
De acordo com o Ministério dos Transportes, mesmo com as mudanças, os candidatos ainda precisarão comparecer presencialmente em algumas fases essenciais do processo. São elas:

  • Registro biométrico
  • Exame médico
  • Prova teórica
  • Exame prático

Esses procedimentos continuam sendo exigidos para a emissão da CNH.

Aulas práticas terão carga horária menor
A nova regulamentação reduz significativamente o número mínimo de aulas práticas: de 20 para apenas 2 horas. Essas aulas poderão ser feitas tanto em autoescolas quanto com instrutores autônomos devidamente credenciados pelos Detrans.

Outra alteração importante é a permissão para que o candidato utilize seu próprio veículo durante o treinamento prático. De acordo com o Ministério dos Transportes, o carro precisa apenas cumprir as exigências do Código de Trânsito Brasileiro, como:

  • Estar equipado com todos os itens obrigatórios;
  • Ter manutenção em dia;
  • Possuir documentação regular.

Requisitos para atuar como instrutor autônomo
Para que um instrutor seja autorizado a participar do processo de formação de novos condutores, ele precisa cumprir uma série de critérios estabelecidos pelo Ministério dos Transportes. Entre os principais, estão:

  • Ter pelo menos 21 anos e possuir habilitação válida há, no mínimo, dois anos;
  • Não ter cometido infrações gravíssimas nos últimos 60 dias e não ter sofrido cassação da CNH;
  • Ter concluído o ensino médio;
  • Possuir formação específica em práticas pedagógicas voltadas à legislação de trânsito e direção defensiva. Após aprovação na avaliação, o candidato recebe o certificado correspondente;
  • Apresentar também o certificado do curso específico exigido pelo órgão executivo de trânsito;
  • Utilizar veículo devidamente identificado como carro de instrução e que cumpra todas as normas de segurança previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB);
  • No caso de motocicletas, elas não podem ter mais de 8 anos de fabricação;
  • Carros usados nas aulas devem ter até 12 anos de uso;
  • Veículos de carga adotados no treinamento precisam ter, no máximo, 20 anos de fabricação;
  • O nome do instrutor deve aparecer no cadastro oficial do Detran do estado e no Ministério dos Transportes — o aluno pode consultar essas informações nos respectivos sites, inclusive horários e locais disponíveis para as aulas;
  • É responsabilidade do instrutor registrar e confirmar a presença do aluno em cada aula;
  • Mesmo atuando em uma autoescola, o instrutor pode oferecer aulas de forma independente.

Documentos obrigatórios durante as aulas práticas
O instrutor precisa portar:

  • CNH;
  • Credencial ou crachá de Instrutor emitido pelo órgão competente;
  • Licença de Aprendizagem Veicular;
  • Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV).

Segundo o Ministério dos Transportes, instrutores autônomos poderão ser fiscalizados a qualquer momento pelos órgãos de trânsito, que podem realizar inspeções para verificar se as atividades estão sendo executadas conforme determina a legislação.

“O instrutor estará sujeito à possibilidade de fiscalização por parte dos órgãos de trânsito, que podem realizar inspeções a qualquer momento para garantir que as atividades estejam sendo realizadas de acordo com a legislação”, informou o Ministério dos Transportes.

Como confirmar se o instrutor é realmente credenciado?
Os instrutores autorizados aparecerão em uma lista oficial disponibilizada pelo Ministério dos Transportes, que também poderá ser consultada no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Nesses canais, o candidato encontrará informações como:

  • Foto do instrutor;
  • Dados referentes ao credenciamento;
  • Prazo de validade da autorização.

CNH pode ficar até 70% mais barata
A intenção das novas diretrizes é diminuir significativamente os custos para quem deseja tirar a carteira de motorista. Segundo o Ministério dos Transportes, atualmente as aulas teóricas e práticas somam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.

Um estudo da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostrou que o Rio Grande do Sul tem hoje o maior valor médio para a categoria AB — que habilita o condutor a dirigir carros e pilotar motos. No estado, o processo custa, em média, R$ 4.951,35.

“O Brasil tem milhões de pessoas que querem dirigir, mas não conseguem pagar. Baratear e desburocratizar a obtenção da CNH é uma política pública de inclusão produtiva, porque habilitação significa trabalho, renda e autonomia. Estamos modernizando o sistema, ampliando o acesso e mantendo toda a segurança necessária”, diz Renan Filho, ministro dos Transportes.

Em nota, o ministério apontou que a redução no custo do processo para a obtenção da CNH pode chegar a 70%.

Provas teórica e prática seguem obrigatórias
Apesar da possibilidade de fazer o curso teórico gratuitamente e de não depender mais exclusivamente de autoescolas para as aulas práticas, os exames continuam sendo indispensáveis. Tanto a prova teórica quanto o teste prático permanecem como etapas obrigatórias e são elas que determinam se o candidato poderá ou não obter a CNH.

“As aulas, por si só, não garantem que alguém esteja apto a dirigir. O que garante é a prova”, disse o ministro dos Transportes.

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